Construído um paraíso marinho dentro de casa

 A qualidade da água e a alimentação são elementos chave para o sucesso do sistema a ser montado. Este guia sugere maneiras de montagem e manutenção de aquários marinhos seguindo 5 passos básicos: Passo 1: O aquário marinho e equipamentos; Passo 2: Instalação; Passo 3: Colocando os habitantes no aquário; Passo 4: Alimentação dos peixes; Passo 5:

Manutenção.

 

Passo 1: O aquário marinho e Equipamentos

 O aquário marinho pode ser considerado um recurso de decoração, terapia (transmite tranqüilidade e harmonia), como também é um recorte de um ecossistema aquático marinho. Para ter um aquário marinho não basta somente comprar um tanque e preenchê-lo com água salgada. Na natureza, os parâmetros da água regulam-se naturalmente, criando um equilíbrio. Portanto, é necessário que você recrie artificialmente tais condições dentro de seu aquário, ou as condições da água se tornarão tóxicas para os peixes e invertebrados, levando-os a morte.  Antes de montar um aquário marinho, veja se você atende os quatro requisitos básicos: 

  • Conhecimento, não é possível montar um aquário marinho se o interessado não estuda ou se atualiza a respeito do investimento a ser feito. O conhecimento em aquarismo marinho vem evoluindo ao longo do tempo graças aos praticantes deste hobby. Há diversos livros para leitura como exemplo: GOMES, S. O aquário marinho & as rochas vivas. 2º edição, 1997; NACCARATO, W. Aquarismo Marinho: teoria e prática. Ed. Marazul, 1990; BRIGHTWELL, C., The Nano-reef Handbook. Ed. Tfh, 2006.Como se pode notar no ano de publicação dos livros citados, são livros antigos, porém são válidos como conhecimento inicial. Conhecimentos mais avançados e atualizados são encontrados gratuitamente em fóruns de discussão e sites de aquarismo como:http://www.reefcorner.org/; http://www.vitoriareef.com.br http://www.aquahobby.comhttp://www.aquaonline.com.br.
  • Tempo: O aspirante a aquarismo marinho deve ter tempo hábil para estudar sobre o assunto; alimentar os animais do aquário, efetuar pequenos reparos como recolocar o nível de água evaporada, rearranjar um coral que pode ter se descolado para perto de alguma bomba de circulação, retirada de matéria orgânica do aquário, manutenção, resolver alguma eventualidade que possa comprometer a saúde do sistema (reparo de equipamento), observação da saúde aparente dos animais e etc. 
  • Espaço: O aquário deve ser montado em um local definitivo. Movimentações e deslocamentos do aquário de um local para outro não devem ser feitos, pois podem avariar a estrutura das paredes do aquário. O aquário deve ser montado em uma estrutura ou móvel que sustente todo o peso do aquário (aquário cheio de água com substrato, rochas, corais, animais, sistema de iluminação e filtro). Escolha um lugar da casa em que não ocorra circulação de pessoas, como corredor e escada para evitar acidentes como também para os peixes mais “tímidos” não viverem escondidos. Escolha um local que complemente a decoração de sua casa. Evite local que haja incidência direta de luz solar, o que poderia ocasionar a proliferação de algas

indesejáveis e variação de temperatura ao longo do dia;                                                                     

  • Dinheiro ($): O aquário marinho exige o uso de mais equipamentos de filtragem do que um aquário de água doce. Há maneiras de baratear o custo de montagem (equipamentos) do aquário, pois sempre há alternativas como compra de equipamentos usados, montagem de equipamentos caseiros e etc.

 Após escolher o local de instalação do aquário, resta saber o tamanho do aquário desejado e consequentemente o volume em litros deste. Quando se escolhe um aquário pequeno deve-se ter em conta que será bastante difícil manter suas condições ambientais estáveis, o que não ocorre em um aquário de maiores dimensões. As variações de temperatura, pH, salinidade e etc., tendem a variar em menor frequência e quantidade em aquários acima de 100 litros de volume, além do que, distribui melhor as concentrações de matéria orgânica (possui maior capacidade de suporte de colônias de bactérias benéficas), evitando níveis tóxicos nos momentos mais críticos do aquário, por exemplo, quando morre um peixe não é retirado em curto espaço de tempo.

 Um tanque marinho equipado adequadamente, de preferência retangular, torna mais fácil manter a saúde dos habitantes. Prefira por formato de aquário de modo que favoreça a movimentação das espécies desejadas, sem prejudicar o sentido estético. Aquários muito altos e estreitos são desaconselháveis, tendo em vista que limitam o espaço destinado à distribuição de oxigênio pela água e natação dos peixes. 

 Não é aconselhável a montagem de aquários com altura superior à 50 cm (medindo-se do cascalho à superfície da água). Esta medida assegura ao ambiente artificial um bom nível de absorção da irradiação luminosa pelas algas e de microrganismos que necessitam de luz. Aquário com profundidade superior a 50 cm torna impossível o alcance de um braço humano até o substrato para coletar algum animal morto ou manutenção. 

 A utilização de um bom sistema de filtragem promove uma boa qualidade de água, um dos requisitos para promover saúde dos organismos do aquário e consequentemente do sistema fechado. É através da filtragem que substâncias tóxicas, produzidas pela decomposição de materiais orgânicos, se tornam componentes químicos com níveis de toxicidade inferior aos quais se encontravam antes da filtragem.

 O sistema de filtragem de aquário marinho é composto por três etapas de filtragem: mecânica, remove as partículas e resíduos físicos; química, trata os odores e a descoloração; biológica, bactérias benéficas que se reproduzem no aquário e processam alguns elementos que podem ser perigosos caso haja algum desequilíbrio. Esses elementos são fezes e urina dos peixes, restos de alimentos e outros materiais orgânicos. Sem essas bactérias, a vida dos peixes no aquário seria impossível.

 Existem dois tipos de filtros para aquários marinhos, o sump, indicado para quem se importa com a estética do aquário, pois com um compartimento ou outro aquário destinado apenas para filtragem, é possível esconder grande parte do maquinário como Skimmer, termostato, aquecedor e etc. Se preferir pode utilizar um sistema de filtragem do tipo hang-on ou filtragem por bombas submersas.

É importante salientar que os dois tipos de filtro possuem a mesma função: filtragem mecânica, química e biológica. 

 A filtragem ocorre quando a água do aquário passa pelo compartimento de filtragem, no qual possui mídias filtrantes como lã acrílica ou perlon, carvão ativado, resinas removedoras de fosfato e materiais de alta porosidade para a fixação de bactérias benéficas. O ideal é que a água do aquário passe pelo compartimento filtrante em um fluxo efetivo de pelo menos 10 vezes o volume do aquário em litros por hora. 

 Além do sistema de filtragem com três etapas, deve participar da filtragem o Skimmer. As proteínas, os aminoácidos e outros elementos positivamente carregados, tais como os compostos nitrogenados, tendem a concentra-se quando agitados, formando um agregado espumoso. Separá-los do restante da água tem sido um dos métodos mais eficientes de eliminar grandes quantidades de compostos nitrogenados que prejudicam a qualidade da água

             

 Conhecido também como desnatador de proteínas, o Skimmer é o filtro responsável por retirar restos biológicos degradados. É considerado por muitos autores o coração da filtragem do aquário marinho. Ele tem ação tanto física como química. É de notável eficiência, pois reduz os níveis de toxicidade dos compostos nitrogenados encontrados no meio líquido. Através de uma potente bomba, micro-bolhas de ar são geradas, se acumulam na coluna do tubo do filtro, criando uma espuma onde fica concentrada grande parte da matéria orgânica do aquário, a qual é coletada por um copo e depois descartada durante a manutenção do aquário. Por razões estéticas, geralmente o Skimmer é instalado no Sump do aquário. 

 Em adição a uma boa filtragem, a movimentação da água é uma necessidade de aquário de água salgada, pois evita o crescimento de algas indesejadas e distribui oxigênio por todo o aquário. A aeração e movimentação constante da água são de importância para a manutenção e proliferação das bactérias aeróbicas.

 No aquário a ser montado é importante estar atento quanto à estabilidade da temperatura. A temperatura ideal para uma sobrevivência saudável em cativeiro esta entre 23 a 27ºC. Vale lembrar que os peixes dependem diretamente da temperatura ambiente para manter seu metabolismo estável, uma vez que seu corpo adquire a temperatura do local em que se encontra. Portanto, é recomendado e útil a compra de um aquecedor com termostato e termômetro para regulagem e constante monitoração da temperatura da água. Para esfriar a temperatura da água pode-se acoplar na tampa do aquário um cooler ou então utilizar o Chiller. O mais importante é não permitir que a temperatura varie mais que 3ºC em um curto intervalo de tempo. Isso causaria um desequilíbrio no metabolismo dos habitantes, facilitando a contaminação por parasitas ou outras doenças oportunistas.

 Os materiais recomendados para uso como substrato para aquários marinhos são de origem calcária como: cascalho de conchas, cascalho calcítico ou dolomítico, areia de Halimeda, cascalho de aragonita e especialmente o cascalho de coral. O substrato no aquário marinho cumpre inúmeras funções de estética, a função de habitat e nicho ecológico ou abrigo para organismos bentônicos, a função de meio e suporte para colonização por bactérias aeróbicas (poder de desnitrificação) e anaeróbicas e para reservatório de calcário para o sistema tampão.

 Além de funções estéticas no aquário, as rochas possuem função de criar zonas de refúgios de alguns indivíduos, abrigo e suporte de organismos bentônicos, como também para reservatório de calcário para o sistema tampão. As rochas são compostas por carbonato de cálcio e formadas principalmente por esqueletos de corais, os quais são agregados “cimentados” por inúmeras espécies de algas calcárias. As algas calcárias, de coloração avermelhada, rósea ou purpúrea, possuem o talo incrustante e impregnado de carbonato de cálcio, atuando como verdadeira cola que une as partículas do substrato aos restos animais e vegetais, formando blocos rochosos, extremamente porosos, que servem de abrigo e habitat para micro e macro organismos como bactérias, algas e espongiários. A camada superficial até uma profundidade entre dois e cinco centímetros, conforme o volume e textura do bloco são colonizados principalmente por bactérias aeróbicas, enquanto que o núcleo representa um substrato ideal para os micro-organismos anaeróbicos. Alguns aquaristas com alto grau de senso ecológico chegam a utilizar rochas artificiais, feitas com material calcário e relatam excelentes resultados.

 Lâmpadas especiais para aquários são indicadas para prover períodos de luz e escuridão. A iluminação deve ser potente e selecionada, pois grande parte dos corais faz simbiose com algas chamadas zooxanthelas. Essas algas unicelulares estão localizadas em todo o tecido do coral e convertem a luz em energia para os corais. Lâmpadas de coloração branca e azul, em mesma quantidade são utilizadas para juntas atingirem comprimentos de onda que satisfaçam as necessidades de luz dos organismos autótrofos. Estas lâmpadas são ligadas em períodos diferentes para simular o período de amanhecer e entardecer. Recomenda-se utilizar de 1 a 2 watts por litro de água do aquário. As lâmpadas utilizadas em aquário marinho são as fluorescentes T5, H0 e HQI’s. As fluorescentes T5 H0 possuem duas vezes mais eficiência luminosas (lumens/watts) que um tubo fluorescente normal, o que facilita a instalação, pois permite o uso de um número menor de lâmpadas para atingir a potência desejada. Atualmente têm-se utilizados luzes de led. Estas possuem a vantagem de possuírem uma durabilidade maior do que as lâmpadas convencionais e não interferem na temperatura da água por dissiparem pouca energia em calor.

 

Passo 2: Instalação;

 Quando começar, lave o tanque, o cascalho e as rochas apenas com água de torneira. Nunca use sabão ou detergente uma vez que estes são tóxicos. Em seguida, coloque o cascalho no fundo e sobre o cascalho posicione as rochas da maneira que desejar. Lembre-se de promover zonas de refúgios dentro do aquário. Um local escondido alivia o estresse, contribuindo na adaptação de novos peixes e oferece proteção a todos, o que faz com que se sintam mais confiantes e comam mais, melhorando assim sua resistência às doenças.

 Forme uma camada de 3 a 5 cm de espessura de cascalho. Evite colocar mais cascalho do que o indicado, pois camadas brutas de cascalho promovem zonas anóxicas e consequente proliferação de bactérias anaeróbicas. Posicione dentro do aquário as bombas submersas de circulação. Instale o sistema de filtragem (Skimmer, malha biológica, mídias filtrantes, materiais de alta porosidade e etc.) e sistema de controle de temperatura (termostato, termômetro, aquecedor, cooler ou Chiller).

 Concluída as etapas posteriores, é o momento de preparar a água salgada para encher o aquário. Em lojas especializadas em aquários, são vendidos sais sintéticos para o preparo de água salgada. Prefira sempre sais para aquário marinho que não tenham em sua composição o componente químico Fosfato, pois o Fosfato é fonte de alimento para a proliferação de algas filamentosas.

 A água utilizada para mistura com o sal marinho sintético não deve ser água mineral e nem água diretamente de torneira. A água deve passar por uma filtragem através do aparelho chamado deionizador. A função de um deionizador é de retirar íons presentes na água, os quais favoreceriam a proliferação das indesejáveis algas verdes e marrons e produzir uma água quimicamente pura, através da filtragem do carvão ativado e da resina mista (resina catiônica e aniônica).

 Deposite em um balde (para evitar que produtos químicos de limpeza danifiquem a qualidade da água, utilize um balde exclusivo para o aquarismo) a água já filtrada, após isto, deposite o sal na água que acabou de filtrar. A densidade da água do mar e de um aquário marinho varia entre os valores de 1.020 a 1.024 kg/L. Para manter a densidade da água do aquário dentro deste parâmetro, é necessário o uso de um densímetro ou de um refratômetro. Geralmente é utilizado 400g de sal marinho para cada 10 litros de água. Após misturar a água tratada com o deionizador com o sal marinho sintético, é recomendado mexer a água manualmente. Para garantir a completa mistura do sal com a água, pode-se utilizar uma bomba de aquário de aproximadamente 1200 L/h durante 5 min. Após total dissolução do sal, verifique se a densidade da água esta na margem desejada e encha o aquário.

 Quando o aquário estiver totalmente preenchido, ligue as bombas de circulação e bombas do sistema de filtragem. Após uma hora de operação do aquário, examine as condições da água. Verifique a temperatura e o pH. O pH de aquário marinho fica no intervalo entre 8 e 8,3 (pH alcalino). Para que a água filtrada (em torno de pH 7) atinja os níveis utilizados em aquário marinho, é utilizado sistema tampão. Recomenda-se a mistura do sistema tampão no momento da mistura do sal com água. O pH no aquário marinho é um dos mais importantes parâmetros. Os peixes e invertebrados são especialmente sensíveis a mudanças rápidas de pH. Manter flutuações de pH dentro de 0,2 por dia é crítico. Todos os organismos marinhos aceitam um pH próximo a 8,2. O pH nunca deve descer abaixo de 8,0.  Não é indicado que se acenda as luzes do aquário de uma hora para outra. É recomendado que nos primeiros dias de operação do aquário o período de luz (tanto de quantidade de luz azul e branca) seja pequeno, por exemplo, trinta minutos de luz azul e quinze de branca. Com o passar do tempo (ex. uma semana) aumente gradativamente a quantidade em tempo de luz até que seja atingido o período de nove horas de luz branca e

onze horas de luz azul. Isto faz com que a quantidade de energia produzida pelas lâmpadas seja assimilada pelas algas do tanque, impedindo uma infestação incontrolável.

 

Passo 3: Colocando os habitantes no aquário

 Assim que você montar o aquário, não tenha pressa em colocar os peixes. A água ainda não está balanceada biologicamente. Este é o período de maturação do aquário marinho. É o momento em que as bactérias nitrificantes e desnitrificantes irão proliferar no aquário. Sem a formação desta colônia, é impossível a manutenção de qualquer animal dentro do aquário.

 As bactérias benéficas processam as seguintes substâncias nocivas: amônia (NH3/NH4), nitritos (NO2) e nitratos (NO3), em substâncias menos nocivas. A formação de compostos nitrogenados ocorrem por constantes sedimentações dos produtos orgânicos. Essas substâncias após passarem pela condição de peptídeo e aminoácidos são transformadas por bactérias heterotróficas em amônia (NH4); para degradar estas substâncias inorgânicas, entra em ação um segundo grupo de bactérias (Nitrossomonas e Nitrosococus) as quais transformam os amoníacos em nitritos (NO2); e em seguida outro grupo de bactérias (Nitrobactérias e Nitrocystis) transforma os nitritos em nitratos (NO3). As Nitrossomonas são denominadas bactérias nitrificantes e as Nitrobactérias são as denitrificantes.

 O aquário atinge seus níveis de equilíbrio quando contém, fixadas no sistema biológico de filtração, uma quantidade suficiente de bactérias nitrificantes e desnifricantes, capazes de reduzir ou oxidar e transformar uma determinada quantidade dos produtos de excreção e restos de materiais orgânicos. Este é denominado de potencial redox, a produção existente entre a quantidade e qualidade dos compostos oxidantes (Bactérias aeróbias) em relação aos compostos que tendem a reduzir substâncias (Bactérias anaeróbias) presentes na composição de água no aquário, ou seja, alguns elementos cujos átomos possuem tendência a liberar elétrons (agentes oxidantes), outros adquirem elétrons (redutores). O processo de oxidação não ocorre apenas com o oxigênio, mas com qualquer processo onde exista transferência de elétrons. 

Um alto potencial redox garante a pureza da água, mais moléculas oxidantes que as redutoras constituindo em qualidade elementos capazes de eliminar os resíduos tóxicos, acarretando em um ambiente limpo e saudável no aquário.

 Leva tempo para que haja uma quantidade e variedade ideal destas bactérias para se manter um mínimo de condições para sustentação da vida dos peixes. Este processo leva cerca de um mês. Por esta razão, o ideal é aguardar este prazo para colocar os primeiros peixes. Antes de colocar os primeiros habitantes no aquário, efetue os testes de parâmetro de densidade, temperatura, pH e nitrito. 

 Geralmente os primeiros habitantes a serem colocados no aquário são invertebrados, pois além de possuírem uma resistência maior à instabilidade biológica do aquário, eles contribuem para a proliferação e colonização de bactérias benéficas no aquário com suas excretas.

 Nunca inicie com mais do que dois peixes, aguardando uma semana para a colocação dos próximos habitantes. O principal erro cometido por iniciantes é comprar o aquário colocando peixes no mesmo dia ou muitos habitantes em intervalos pequenos. De nada adianta montar o aquário corretamente e não respeitar esta regra básica. A paciência é a chave fundamental para um aquário de sucesso.

            

Figura 1 – Coloque os peixes deixando o saquinho em que vieram flutuar (etapa 1), para que a temperatura dentro do saquinho se iguale à da água do aquário (etapas 2-4). Nos 15 minutos seguintes, adapte seus peixes lentamente adicionando água do aquário no saquinho a cada 5 minutos (etapa 5). Use uma rede para soltar seus peixes sem permitir que a água do saquinho entre no tanque (evitando assim que seja introduzida água imprópria do transporte). Figura retirado de encarte comercial Tetra.

 

Passo 4: Alimentação dos peixes

            Alimentar os seus peixes é uma tarefa agradável e ao mesmo tempo o ponto alto do dia do aquário. Nessa altura, mesmo o peixe mais “tímido” se expõe aos nossos olhos e é possível observar muitos comportamentos interessantes.

 Uma dieta de qualidade é fundamental para manter peixes com cores perfeitas e aparência saudável. Tome cuidado com a quantidade de comida oferecida para os habitantes do aquário, pois a oferta em excesso de alimento, promove um dos principais meios de introdução de fosfatos e nitratos, contribuindo para a proliferação de algas.

 Como os humanos, os peixes precisam variar sua dieta. Na natureza os peixes estão acostumados a uma variedade de alimentos e em aquários, precisamos proporcionar essa variação. Intercale os tipos de ração a cada momento de alimentação e ofereça também, se possível, alimentos vivos como artêmias. 

 Alimente seus peixes de 2 a 3 vezes por dia. Ofereça somente o suficiente que possa ser consumido dentro de poucos instantes. Cada vez que for alimentar, use uma pitada pequena com alguns poucos flocos (ou crisps ou grãos), aguarde até que sejam consumidos, outra pitada pequena, aguarde até novamente e repita até perceber que os peixes demoram mais para consumi-los. O excesso de alimentação pode exterminar a população inteira de um aquário em poucos dias. 

 

Passo 5: Manutenção

 Para renovação da água do sistema, evitar a saturação dos elementos presentes na água e o acúmulo de poluentes, a cada quatro semanas troque de 10 a 20% do volume de água do aquário. Ao retirar a água do aquário, use sempre um aparelho específico chamado sifão para aspirar à água da coluna e superfície. A mesma quantidade de água retirada do aquário deve ser reposta por água salina (água sinteticamente preparada com a mistura do sal de aquário em água filtrada pelo deionizador, procedimento explicado anteriormente).

 De tempos em tempos a água do aquário sofrerá evaporação. O mesmo volume de água evaporado deve ser recolocado água doce, filtrada pelo deionizador.  

 Examine a qualidade da água continuamente com os kits de teste de parâmetros de temperatura, densidade (salinidade), nitrito, pH, alcalinidade e cálcio. A alcalinidade de um aquário é a chave para o sucesso do aquário durante a longo prazo. Sem bons níveis de alcalinidade o pH do aquário irá cair ao longo do tempo e colocar em perigo a vida dos habitantes. A alcalinidade deve ser em torno de 2,5 a 3,5 meq/l. O Cálcio é um elemento, juntamente com outros elementos residuais que precisam estar presentes para o desenvolvimento e crescimento dos habitantes do tanque. Os crustáceos, como exemplo, não podem crescer adequadamente sem este elemento para efetuarem a muda, substituição de seu exoesqueleto. Os níveis de cálcio devem estar no intervalo entre 400 a 450 ppm.

 Observe diariamente o comportamento, coloração e alimentação dos peixes. Desta maneira você estará monitorando a saúde dos peixes e prevenir que a doença evolua bruscamente. 

 Inspecione o funcionamento dos equipamentos de filtragem e circulação. Mantenha a coluna do Skimmer sempre limpa, efetue a troca periódica da malha biológica e não se esqueça de trocar o refil do filtro (por exemplo, o carvão ativado ou outro tipo de mídia filtrante) a cada troca parcial de água do tanque.

 

Bibliografia

BACELAR, A., Aquários marinhos de recife de corais. Ed. Nobel, 1997.

BRIGHTWELL, C., The Nano-reef Handbook. Ed. Tfh, 2006.

GOMES, S., O aquário marinho e as rochas vivas. Ed. Camargo Soares, 1998.

KINGSLEY, R., Peixes de aquário marinho. Ed. Nobel, 1998.

NACCARATO, W., Aquarismo marinho: teoria e prática. Ed. Marazul, 1990.

VIEIRA, M. I., Aquário de água salgada. Ed. Prata, 2007.